sábado, 21 de setembro de 2013

O MITO DOS NASCIDOS DA TERRA DE PLATÃO




...“cada cidadão desempenha uma única tarefa... segundo o dom que a natureza melhor lhe capacitou”...

Platão também se vale de uma “mentira”, ou, mais precisamente, de uma fábula, para explicar a desigualdade de classes da sociedade ateniense. Trata-se, porém, para ele, de uma “mentira genuína”, visto que é “necessária” e útil à conservação da cidade.
Atenas, no tempo de Platão (século V a.C.), era uma cidade-Estado com significativas desigualdades sociais. Afinal, embora se tratasse de uma democracia direta, era também uma democracia escravista, na qual o direito à cidadania restringia-se a cerca de 10% da população, isto é, aos nascidos na cidade, do sexo masculino, adultos e livres. Estavam, portanto, excluídos os escravos, os estrangeiros, os menores de 18 anos e as mulheres.
Havia três classes fundamentais na organização da sociedade ateniense em termos das atribuições na polis: a dos magistrados, minoritária, formada pelos governantes, encarregados de elaborar as leis e fazê-las cumprir; a dos artífices ou classe econômica, mais numerosa, representada pelos trabalhadores em geral (artesãos, lavradores, comerciantes etc.) livres ou escravizados, responsáveis pelo provimento dos bens necessários à sobrevivência dos cidadãos; e a dos guerreiros, encarregados da defesa da cidade.
Para Platão, essa desigualdade de classes não é necessariamente um problema, desde que cada cidadão seja encaminhado para a função que está em conformidade com a sua natureza. Isso porque, para ele, cada um nasce mais preparado para exercer um determinado tipo de atividade. A cidade justa é aquela que se organiza pela justa medida, isto é, aquela em que cada um ocupa o lugar designado pela sua natureza. Nas palavras de Platão, a cidade é “justa pelo fato de que cada uma das três ordens (classes) que a constituem cumpre sua função”, ou seja: “É justo que aquele que, por natureza, é sapateiro fabrique sapatos e nada mais faça, que o construtor construa e, quanto aos outros, também seja assim.” Se isso for assegurado, reinará a harmonia e a prosperidade.
Para melhor explicar e justificar essa posição, Platão se vale de uma fábula, ou melhor, de uma “mentira, única e genuína”, daquelas que se fazem “necessárias” uma vez que servem à conservação da cidade. Trata-se do mito dos nascidos da terra, segundo o qual os gregos, tanto eles quanto suas armas, teriam sido modelados e criados no interior da terra e esta, como sua mãe, os teria dado à luz. Por isso, eles devem cuidar do lugar onde vivem como um filho cuida de sua mãe, defendê-la dos inimigos e tratarem-se mutuamente como irmãos. E a narrativa prossegue:
“Todos vós que estais na cidade sois irmãos, [...] mas ao plasmar-vos, o deus, no momento da geração, em todos os que eram capazes de comandar misturou ouro, e por isso são valiosos, e em todos os que eram auxiliares daqueles misturou prata, mas ferro e bronze nos agricultores e outros artesãos. Já que todos vós sois da mesma estirpe, no mais das vezes geraríeis filhos muito semelhantes a vós mesmos, mas, às vezes, do ouro seria gerado um filho de prata e, da prata, um de ouro, e assim com todas as combinações de um metal com outro. Aos chefes, como exigência primeira e maior, ordenou o deus que de nada mais fossem tão bons guardiões quanto de sua prole, nem nada guardassem com tanto rigor, procurando saber que mistura havia na alma deles e que, se um filho tivesse dentro de si um pouco de bronze ou de ferro, de forma alguma se compadecesse dele, mas que o relegasse, atribuindo-lhe o valor adequado à natureza, ao grupo dos artífices e agricultores. Mas, em compensação, se um deles tivesse em si um pouco de ouro ou prata, reconhecendo-lhe o valor, fizesse que uns ascendessem à função de guardião e outros à de auxiliares, porque havia um oráculo que previa que a cidade pereceria quando um guardião de ferro ou bronze estivesse em função.”
Embora se trate de uma “mentira”, como reconhece Platão, esta fábula seria útil para que os magistrados “cuidassem mais da cidade e do relacionamento entre uns e outros,” mostrando-lhes que possuem alma de ouro e que, portanto, não precisam almejar possuir ouro em metal (riqueza material), pois a maior riqueza está dentro deles e esta não perece e não lhes pode ser tomada. Assim a cidade seria governada por pessoas que não teriam motivo para praticar a corrupção, favorecendo a justiça. 1 PLATÃO. A República. São Paulo, Martins Fontes, 2006.
Leia atentamente o texto apresentado e responda:
1.     Como se caracterizava a democracia ateniense.
2.     Quais eram as três classes fundamentais de Atenas e que função cabia a cada uma?
3.     Reconte em poucas palavras o mito dos nascidos da terra.
4.     Em que sentido esse mito é uma mentira “necessária”? Que papel ela cumpre na sociedade ateniense segundo Platão?

Platão e a teoria da alma
A noção que Platão tem de justiça é reforçada pela sua teoria da alma. Para ele, assim como na cidade há três classes distintas, também a alma humana possui três partes, cada uma encarregada de uma função específica:
1. Parte concupiscente ou apetitiva: concupiscência é sinônimo de “cobiça de bens materiais”, desejo de “prazeres sensuais”. Situada no baixo-ventre (entre o diafragma e o umbigo), é a parte da alma responsável pela busca da bebida, da comida, do sexo, dos prazeres, enfim, de tudo quanto é necessário à conservação do corpo e à reprodução da espécie. É irracional e mortal.
2. Parte colérica ou irascível: irascível é quem se irrita ou se enraivece com facilidade. Localizada no peito, acima do diafragma, sua função é defender o corpo contra tudo o que possa ameaçar sua segurança. Também é irracional e mortal.
3. Parte racional: é a função superior da alma, o traço divino que há em nós. Situada na cabeça, é responsável pelo conhecimento. Apenas essa parte é imortal.
O homem virtuoso é aquele em que cada parte da alma realiza na medida justa (sem falta nem excesso) a função que lhe cabe, sob a regência da parte racional. Cabe, portanto, à parte racional dominar as outras duas. O domínio da razão sobre a concupiscência resulta na virtude da temperança (moderação); o domínio da razão sobre a cólera produz a virtude da coragem ou da prudência. A virtude própria da parte racional é o conhecimento. Por outro lado, o homem vicioso é aquele em que as partes da alma não conseguem realizar suas funções próprias, ou as realizam desmensuradamente, o que ocorre quando a parte racional perde o comando sobre as outras duas. Nesse caso, instaura-se a desordem, o conflito, a violência contra si e os demais.
Ora, o que vale para o homem individualmente vale também, de certo modo, para a cidade e as três classes sociais nela existentes. Na classe econômica, predomina a parte concupiscente da alma. Daí ela estar sempre voltada para a obtenção de riquezas e prazeres. Assim, se essa classe assumir o governo, a cidade será mergulhada em sérios problemas econômicos, aprofundando as desigualdades. Na classe dos guerreiros, predomina a parte colérica, razão pela qual apreciam os combates e a fama. Se governarem, a cidade viverá em constante estado de guerra, tanto interna quanto externamente, gerando insegurança e instabilidade. Finalmente, na classe dos magistrados, predomina a parte racional da alma, o que lhe favorece conhecer a ciência da política e, desse modo, governar as outras duas classes e em conformidade com a justiça.
Em suma, assim como o homem justo é aquele em que a razão governa a cólera e a concupiscência, assim também na cidade, para haver justiça, é preciso que os magistrados governem as demais classes, dedicando-se estas às funções que lhes são próprias. Caberá à educação preparar os indivíduos de cada classe para o exercício da função e da virtude a ela correspondentes. Assim, a classe econômica deve ser educada para a frugalidade e a temperança; a classe militar, para a coragem, e a classe dos magistrados, para a prudência.
O resultado dessa combinação será uma quarta e principal virtude: a justiça. Assim, a cidade justa é aquela em que cada classe cumpre harmoniosamente o papel que lhe cabe: o magistrado governa, o soldado defende e a classe econômica provê a subsistência dos cidadãos, tudo na mais perfeita harmonia. Desse modo, cada um exercendo a função correspondente às inclinações de sua alma, às características de sua natureza, todos concorrerão para a realização da justiça.
Eis, portanto, como Platão legitima e justifica a desigualdade entre as classes, apresentado-a como expressão da justiça e instrumento para a realização do bem comum.

1. O que são, para Platão, o homem virtuoso e o homem vicioso?
2. Como Platão articula sua teoria da alma humana com as três classes sociais da sociedade ateniense de seu tempo?
3. Qual é o conceito de justiça defendido por Platão? Você concorda com ele? Justifique.
4. Que papel Platão atribui à educação na promoção da justiça? Você concorda? Justifique.

 Os escravos e as mulheres na visão de Platão em A República
Se Platão não vê problemas na existência de classes sociais, resta saber o que ele pensa a respeito da escravidão e do papel das mulheres na sociedade. No que se refere à escravidão, era costume entre os povos antigos que, nas guerras, os vencedores escravizassem os vencidos. Esse suposto direito fundamentava-se na ideia de que, a princípio, o vencedor poderia matar o vencido, o qual, porém, poderia preservar a vida ao preço de sua liberdade.
Platão, ao que parece, não se opõe inteiramente a esse costume. No entanto, recomenda que se aplique apenas aos inimigos estrangeiros e não aos gregos. Vale lembrar que as cidades gregas frequentemente entravam em conflito entre si. Com relação ao papel das mulheres, considerando que na sociedade grega antiga elas nem sequer eram cidadãs, Platão surpreende defendendo a ideia de que, no caso das mulheres dos magistrados ou guardiões, as que se mostrassem capazes poderiam exercer as mesmas funções e receber a mesma educação.
Mas como isso seria possível se homem e mulher têm naturezas diferentes e se o próprio Platão afirmara que a cidade justa é aquela em que cada um exerce a atividade para a qual está apto por natureza? Nesse sentido, homem e mulher não poderiam exercer uma mesma atividade.

A posição de Platão acerca da escravidão e do papel da mulher
Na realidade, diz Platão, as diferenças entre homens e mulheres são apenas acidentais n(como o fato de a mulher dar à luz e o homem procriar) e não por natureza. Portanto, ambos podem ocupar-se das mesmas funções. Nas palavras do autor: “Ah! Meu amigo, entre as ocupações da administração da cidade, nenhuma cabe à mulher porque ela é mulher, nem ao homem porque ele é homem, mas as qualidades naturais estão igualmente disseminadas nos dois sexos e, por natureza, a mulher participa de todas ocupações e de todas também o homem, mas em todas elas a mulher é mais fraca que o homem.”2
Se homem e mulher podem desempenhar funções idênticas, é natural que recebam então a mesma educação: “Então, para que uma mulher se torne guardiã, não haverá entre nós uma educação para os homens e outra para as mulheres, principalmente porque ela irá cuidar de uma mesma natureza.”3
Mais adiante, no livro VII, ao descrever como deve ser a educação do governante da cidade, Platão reitera pela boca de Sócrates: “Não penses que o que eu disse cabe mais aos homens que às mulheres, a quantas delas por natureza forem competentes.”4
A ideia de que a mulher é mais fraca do que o homem, expressa ao final da citação apresentada, absolutamente dispensável e inaceitável aos nossos olhos contemporâneos, revela os limites do pensamento de Platão, particularmente com relação ao papel da mulher. Afinal, como qualquer pessoa, ele também está, em grande medida, condicionado pelos valores dominantes de sua época. Tal condicionamento, porém, não anula o caráter relativamente avançado e inovador de suas posições a esse respeito, comparativamente a esses mesmos valores.
Você sabia que existe uma lei no Brasil (Lei no 9 504/97, art. 10, parágrafo 3o) que obriga os partidos políticos a reservarem no mínimo 30% das vagas de suas candidaturas para mulheres? O que você pensa a respeito disso?
Como dizia Platão, “entre as ocupações da administração da cidade, nenhuma cabe à mulher porque ela é mulher, nem ao homem porque ele é homem, mas as qualidades naturais estão igualmente disseminadas nos dois sexos e, por natureza, a mulher participa de todas as ocupações e de todas também o homem” (PLATÃO, 2006. p. 184 [455e]).

domingo, 1 de setembro de 2013

TAHIRA - A RELIGIOSA

Tahira, você esta fazendo muitas coisas ruins.  O seu dever não era unir em vez de desunir?Religar em vez de desligar? Amar em vez de Odiar? Você usa o preconceito e a intolerância como peneiras para fazer acepções de pessoas, de seres e de coisas. Por que esta usando esta maquiagem de palavras bonitas, de paz e humanidade? Não adianta tentar disfarçar suas maldades! Não existe nada encoberto que não possa ser relado! A suas obras, desde longos séculos, estão escancaradas! Tahira, você ainda não conseguiu compreender o verdadeiro sentido da espiritualidade, que é: Amar o outro além de ti mesmo.  Lembre-se: O outro é o que tem características diferentes de você! Por isso, o outro é superior a você! Por quê? Porque você não tem o que o outro tem! Não é o outro a materialização de aspectos diferentes da Divindade? Então, o outro deve ser respeitado além de ti mesmo! Aprenda Tahira que amar o outro como a ti mesmo não é fazer do outro você!! Onde esta a grandeza disso? Transformar o outro em você?! Que ridículo!!!  Tahira siga um bom conselho: você tem que amar, muito mais o que é diferente de você, e não apenas, o que é idêntico!  Ame e respeite a diversidade...  Além de ti mesmo!  O seu nome, Tahira, significa coisas sagradas. Quais dos deuses, em sua insanidade, delegou a você o direito de dizer o que é Sagrado e Profano? Todos os seres divinos estão envergonhados! Nenhum deles te criou para isso! Para Epicuro, Tahira -  Os seres divinos são felizes, despreocupados, vivem eternamente, não sofrem, não tem fraquezas, por isso vivem numa profunda tranquilidade. Por que eles vão se preocupar em castigar os humanos? Até o Todo Poderoso já divorciou de você... Veja a carta de repúdio encharcada de sangue, que sua espada de dois gumes derramou... Sua espada Corta com a intolerância e com a indiferença! Como você consegue fazer cara de santa e dizer que a guerra é santa para justificar o seu terror? Você é a incorporação do Procusto na Terra! Corta e estica tudo e todos que não encaixam em seu padrão religioso! Filho meu, filho meu... Siga meu conselho: Fica longe da Tahira! A ganância de querer converter todos a deixou doente! Ela esta enferma por não aceitar a diferença! Mas gente com inteligência espiritual reconhece rapidamente a confusão mental e se vacinam dessa síndrome puramente humana. 


domingo, 12 de maio de 2013

ALEGORIA DA CAVERNA DE PLATÃO


Transcrevo aqui o texto completo referente à Alegoria da Caverna de Platão, esta é uma tradução de Enrico Corvisieri publicada na coleção “Os Pensadores”.
O diálogo é entre Sócrates e Glauco, escrito por Platão… 
PARA COMPLEMENTAR O ENTENDIMENTO APOS A LEITURA:


E) VEJA O VÍDEO DA ALEGORIA DA CAVERNA NARRADO. 

F) VEJA, LOGO ABAIXO DO TEXTO, AS IMAGENS DA História em quadrinho de PITECO E AS SOMBRAS DA VIDA de Mauricio de Souza para homenagear Platão.

                                                                       

Sócrates – Agora imagina a maneira como segue o estado da nossa natureza relativamente à instrução e à ignorância. Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, pois as correntes os impedem de voltar a cabeça; a luz chega-lhes de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada ascendente. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro, semelhante às divisórias que os apresentadores de títeres armam diante de si e por cima das quais exibem as suas maravilhas.
Glauco – Estou vendo.
Sócrates – Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, homens que transportam objetos de toda espécie, que o transpõem: estatuetas de homens e animais, de pedra, madeira e toda espécie de matéria; naturalmente, entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.
Glauco – Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.
Sócrates – Assemelham-se a nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, de si mesmos e dos seus companheiros, mais do que as sombras projetadas pelo fogo na parede da caverna que lhes fica de fronte?
Glauco – Como, se são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida?
Sócrates – E com as coisas que desfilam? Não se passa o mesmo?
Glauco – Sem dúvida.
Sócrates – Portanto, se pudessem se comunicar uns com os outros, não achas que tomariam por objetos reais as sombras que veriam?
Glauco – É bem possível.
Sócrates – E se a parede do fundo da prisão provocasse eco, sempre que um dos transportadores falasse, não julgariam ouvir a sombra que passasse diante deles?
Glauco – Sim, por Zeus!
Sócrates – Dessa forma, tais homens não atribuirão realidade senão às sombras dos objetos fabricados.
Glauco – Assim terá de ser.
Sócrates – Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância. Que se liberte um desses prisioneiros, que seja ele obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço, a caminhar, a erguer os olhos para a luz: ao fazer todos estes movimentos sofrerá, e o deslumbramento impedi-lo-á de distinguir os objetos de que antes via as sombras. Que achas que responderá se alguém lhe vier dizer que não viu até então senão fantasmas, mas que agora, mais perto da realidade e voltado para objetos mais reais, vê com mais justeza? Se, enfim, mostrando-lhe cada uma das coisas que passam, o obrigar, à força de perguntas, a dizer o que é? Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via outrora lhe parecerão mais verdadeiras do que os objetos que lhe mostram agora?
Glauco – Muito mais verdadeiras.
Sócrates – E se o forçarem a fixar a luz, os seus olhos não ficarão magoados? Não desviará ele a vista para voltar às coisas que pode fitar e não acreditará que estas são realmente mais distintas do que as que se lhe mostram?
Glauco – Com toda a certeza.
Sócrates – E se o arrancarem à força da sua caverna, o obrigarem a subir a encosta rude e escarpada e não o largarem antes de o terem arrastado até a luz do Sol, não sofrerá vivamente e não se queixará de tais violências? E, quando tiver chegado à luz, poderá, com os olhos ofuscados pelo seu brilho, distinguir uma só das coisas que ora denominamos verdadeiras?
Glauco – Não o conseguirá, pelo menos de início.
Sócrates – Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade dos astros e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e a sua luz.
Glauco – Sem dúvida.
Sócrates – Por fim, suponho eu, será o Sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal como é.
Glauco – Necessariamente.
Sócrates – Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que faz as estações e os anos, que governa tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.
Glauco – É evidente que chegará a essa conclusão.
Sócrates – Ora, lembrando-se da sua primeira morada, da sabedoria que aí se professa e daqueles que aí foram seus companheiros de cativeiro, não achas que se alegrará com a mudança e lamentará os que lá ficaram?
Glauco – Sim, com certeza, Sócrates.
Sócrates – E se então distribuíssem honras e louvores, se tivessem recompensas para aquele que se apercebesse, com o olhar mais vivo, da passagem das sombras, que melhor se recordasse das que costumavam chegar em primeiro ou em último lugar, ou virem juntas, e que por isso era o mais hábil em adivinhar a sua aparição, e que provocasse a inveja daqueles que, entre os prisioneiros, são venerados e poderosos? Ou então, como o herói de Homero, não preferirá mil vezes ser um simples criado de charrua, a serviço de um pobre lavrador, e sofrer tudo no mundo, a voltar às antigas ilusões e viver como vivia?
Glauco – Sou da tua opinião. Preferirá sofrer tudo a ter de viver dessa maneira.
Sócrates – Imagina ainda que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: não ficará com os olhos cegos pelas trevas ao se afastar bruscamente da luz do Sol?
Glauco – Por certo que sim.
Sócrates – E se tiver de entrar de novo em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes, para julgar essas sombras, estando ainda sua vista confusa e antes que os seus olhos se tenham recomposto, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará que os outros se riam à sua custa e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, pelo que não vale a pena tentar subir até lá? E se a alguém tentar libertar e conduzir para o alto, esse alguém não o mataria, se pudesse fazê-lo?
Glauco – Sem nenhuma dúvida.
Bibliografia
PLATÃO. A República. (trad. Enrico Corvisieri) São Paulo: Nova Cultural, 1999. (Col. Os Pensadores).

HISTÓRIA EM QUADRINHO: 

PITECO E AS SOMBRAS DA VIDA




























sexta-feira, 10 de maio de 2013

PRÉ-SOCRÁTICOS



PRÉ-SOCRÁTICOS






Os Pré-Socráticos foram  os primeiros Filósofos gregos que viveram mais ou menos 600 a 500 a.C. Habitaram a Grécia antes dos sofistas (Os sofistas eram mestres que ensinavam a arte do discurso para os políticos e que tudo é relativo) e nomeadamente antes e no mesmo período de Sócrates.  Conhecem-se apenas notícias e fragmentos das suas obras, que só chegaram até nós porque foram citados ou copiados em obras de Filósofos posteriores.     Os primeiros filósofos gregos dedicaram-se ao problema de determinar qual era o princípio material, chamada Physis, que ordenava e regia a natureza e todo universo, para vereficar se a natureza possuia uma ordem ou era um caos, numa explicação racional (cosmológica) desprendida do mito (cosmogônica). Foram chamados de naturalistas, pois procuravam responder a questões do tipo: O que é a natureza ou qual o  fundamento último das coisas?  Foram considerados como pessoas desprendidas das preocupações materiais do dia a dia e  que se dedicavam apaixonadamente à contemplação da natureza. Tinham então como principal objetivo viverem para contemplarem a natureza. Pode considera-los como os primeiros Físicos, pois várias de suas descobertas são valiosas até hoje para a física.


BREVE RESUMO DOS PRÉ-SOCRÁTICOS:

 Tales de Mileto  O primeiro Filósogo grego que viveu por volta do ano 600 a.C. Tales defendia que a água era o princípio, a origem que regia todas as coisas. Preocupavam-se em encontrar a unidade por detrás da multiplicidade dos objectos do universo, e o princípio de explicação da natureza a partir da própria natureza. 
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Anaximandro – (+ ou – 610-547 a. C) é um filósofo da escola jônica, natural de    Mileto e discípulo de Tales. Foi geógrafo, matemático, astrônomo e político.   Escreveu um livro, Sobre a natureza, que se perdeu. É considerado autor de  um mapa do mundo habitado e iniciador da astronomia. Afirmou que a origem de todas as coisas seria o apeíron, o infinito. O mundo se dissolveria nele    também. É apenas um mundo dentre muitos. Ao contrário de Tales não deu à  gênese um caráter material. O apeíron é eterno e indivisível, infinita e indestrutível. O princípio é o fundamento da geração de todas as coisas, a ordem do mundo evoluiu do caos em virtude deste princípio. Teve como  discípulo Anaxímenes.
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Anaxímenes – (+ ou – 588-524 a.C.) Refutando a teoria da água de Tales, e do ápeiron de Anaximandro, Anaxímenes ensinava que a substância primordial era o ar infinito, pneuma ápeiron. O universo resultaria das transformações do ar, o fogo, o vento, a nuvem, a água e a terra e por último pedra. O ar tinha o eterno  elemento. Dedicou-se à  meteorologia foi o primeiro a considerar que a lua recebe a luz do  sol. Era companheiro e discípulo de Anaximandro. Hegel diz que Anaxímenes ensina que nossa alma é ar, e ele nos mantém  unidos, assim um espírito e o ar mantém unido o mundo inteiro. Espírito e ar são a mesma coisa. Para ele a Terra a Lua e o Sol bem como todos os demais astros conhecidos na época, são planos e flutuam como se estivessem cavalgando sobre o ar. Todos os astros se movem ao redor da terra como se fosse um chapéu girando ao redor da nossa cabeça. A terra é feita de ar comprimido e o sol a lua e os outros astros também se originam da terra..  Anaxímenes identificou o ar talvez porque tenha visto seu movimento  incessante, e que a vida e o ar andam juntos, na maioria dos casos. A respiração é um processo vivificante, dependemos dela durante toda a nossa vida. Ele via     que no céu existem nuvens, e que a matéria possui diferentes graus de solidez. 
       Outra frase que consta nos fragmentos é "O sol largo como uma folha e se desloca através do ar".
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Pitágoras – (século VI a.C.) Nasceu em Samos, em uma época em que na Grécia estava instituído o culto ao deus Dionisio. Os órficos (de Orfeu) acreditavam na imortalidade da alma e em reencarnação (metempsicose), e para se livrar desse ciclo, necessitavam da ajuda de Dionisio deus libertador. Pitágoras postulou como via de salvação em vez desse deus, a matemática. Acreditava na divindade do número. O um é o ponto, o dois determina a linha, o três gera a superfície e o quatro produz o volume. Os pitagóricos concebem todo o universo como um campo em que se contrapõe o mesmo e o outro. É de Pitágoras o teorema do triângulo retângulo. Fundou uma seita, em que a salvação dependia de um esforço humano subjetivo, e que tinha iniciação secreta. Os números constituem a essência de todas as coisas segundo sua doutrina, e são a verdade eterna. O número perfeito é o dez, por causa do triângulo místico. Os astros são harmônicos. Foi Pitágoras que inventou a palavra filosofia – (amizade ao saber).
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 Xenófanes de Colofão -(século IV a. C) atribui-se a ele a fundação da escola de Eléia. Em seus fragmentos defendeu um deus único, supremo, que não tinha a forma de homem. Realçou isso afirmando que os homens atribuem aos deuses características semelhantes a eles mesmos, que mudam de acordo com o povo. Se os animais tivessem mãos para realizarem obras, colocariam nos deuses suas características. Restaram de suas obras alguns fragmentos, sendo que uns satíricos. Foi contra a grande influência de Hesíodo e Homero (historiador e escritor gregos). Zombou dos atletas, preferindo a sua sabedoria aos feitos atléticos, que não enchiam celeiros. O deus segundo Xenófanes está implantado em todas as coisas, o todo é um, e é supra-sensível, imutável, sem começo, meio ou fim. Teve como discípulo  Parmênides.
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Parménides, foi o fundador da escola eleática. Defendia a imutabilidade e unicidade do ser, afirmando que a multiplicidade e a mudança eram apenas aparências. Zenão, que foi seu discípulo, viria a defender as teses de Parménides sobre a imutabilidade do real. Parménides dizia que o Ser é completo de todos os lados, semelhante a uma esfera bem redonda.   
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   Heraclito acreditava na filosofia do devir, falava de um devir não puramente linear que seria a negação absoluta do ser, mas sim do devir que se desenrolava no interior de um círculo. Considerava haver um ciclo do devir que em tudo representava harmonia, com efeito na circunferência, o começo e o fim coincidem.  Acreditava que era no interior de cada um de nós que se operavam as mudanças, dizia que a vida e  a morte, a juventude, a velhice e o sono eram a mesma coisa, porque estes transformam-se naquelas e inversamente aquelas transformam-se nestes. Era um defensor da mudança dizia que não se podia penetrar duas vezes no mesmo rio. Para Heraclito, o mundo era  o mesmo para todos os seres, nenhum deus, nenhum homem o criou; mas foi, é, e será sempre um fogo eternamente vivo, que com medida se acende e com medida se apaga. ...........................................................................................................................................
    Anaxágoras foi o primeiro filósofo registrado pela história a ter afirmado a existência de um princípio inteligente como causa da ordem do mundo. Para ele o espírito é que ordenava tudo e daí tudo era causa.
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   Empédocles, foi o criador da teoria dos quatro elementos que vigoraria até a era moderna: terra, água, ar e fogo, seriam os componentes últimos das coisas, ora reunidos sob a atracção do amor, ora separados pela força da discórdia (ou do ódio).
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Leucipo (século V a. C) Filósofo grego, criador da teoria atomista, que foi desenvolvida por Demócrito. É considerado discípulo de Zenão. Leucipo explicou o fenômeno do peso de acordo com o tamanho dos átomos e suas combinações. Os átomos seriam partículas minúsculas e indivisíveis por sua pequenez. O mundo teria a parte cheia e a parte vazia. Foi o primeiro a conceber uma parte vazia no universo. A parte cheia seria constituída de átomos.
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Melisso – floresceu em cerca de 444/41 a.C. Nasceu em Samos, ilha do mar Egeu, e era filósofo e político, tendo derrotado os atenienses com uma esquadra que comandou. Defensor de Parmênides, atacou Empédocles. Escreveu um poema, Sobre o ser. Disse que o todo é imóvel, pois se movesse haveria vazio e o vazio é um não ser. Para ele tudo sempre existiu, e sempre existirá. O mundo é infinito.
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Demócrito (+ ou - 460-370 a. C) – nasceu em Abdera (Trácia). Foi discípulo e sucessor de Leucipo, desenvolveu suas teoria atomista. É um dos primeiros materialistas. Teria deixado cerca de noventa obras. Para resolver o impasse surgido nas teorias de Heráclito e Parmênides, desenvolve a teoria de que tudo seria composto por partículas minúsculas indivisíveis e invisíveis a olho nu, inclusive a alma. Os átomos da alma se desintegrariam no momento da morte. Portanto, não acredita na imortalidade da alma, embora gostasse de Pitágoras. Como nada pode surgir do nada, os átomos, são eternos. O movimento existe, pois o pensamento é movimento, e também os átomos se movem. O homem é infeliz porque não conhece a natureza. Temos de nos contentar com o mundo tal como ele é. Os átomos constituem a explicação última da natureza. Foi o mais lógico dos pré-socráticos. Nietzsche o considera um poeta, Aristóteles admira sua     universalidade. Sua doutrina seguiu adiante, e temos outros atomistas, como Epicuro. 

REFERÊNCIAS

PRÉ-SOCRÁTICOS EM QUADRINHO












quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Teatro: Prazer sem Desprazer


TEATRO FILOSOFICO EM SALA DE AULA DO NÉDI SILVA

           PRAZER SEM DESPRAZER

HEDONISMO COM CRITÉRIO: Não é qualquer prazer, obtido de qualquer modo e a qualquer preço, que é bom e que constitui a felicidade.

OBJETIVO DISCIPLINAR
Ensinar os alunos através da dramatização:
a) a adestrar os sentidos para aprenderem a cultivar o prazer com equilíbrio e sem desmedida;
b) a valorizar o instante existencial contemplando a finitude, ou seja, as limitações do ser;
c) a compreender a liberdade e a responsabilidade sobre todas as ações;
d) a estudar a filosofia de Epicuro e reter os ensinamentos úteis para nossa realidade.

OBJETIVO TRANSDISCIPLINAR
Realizar o Projeto Prevenção Também se Ensina, levando os alunos a refletirem que as drogas, principalmente o crack, trazem uma euforia rápida, mas induzem ao desejo de satisfação a todo tempo. Por consequência, vem o desprazer para toda a vida, com danos irreparáveis, pois a pessoa que usa drogas tende a ficar irritadiça, ranzinza e agressiva, pode cair em depressão profunda e até tentar cometer suicídio. Passa a fazer qualquer coisa para obter dinheiro e sustentar o vício: começa vendendo tudo o que é seu ou de seus parentes, depois passa a roubar e a se prostituir; por fim mata se necessário.
Observação: este teatro é uma ferramenta didática para complementar a pesquisa e o ensino da filosofia helenista de Epicuro e os efeitos colaterais das drogas, crack, cocaína e bebidas alcoólicas. Por isso, só será apresentado na última aula sobre o assunto.             



                             ENCENAÇÕES
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1ª cena
KAUÃ, CARLA, AMIGOS dançam em uma balada ao som de uma música agitada.  Todos estão se divertindo muito. Após alguns minutos, KAUÃ puxa a namorada a um canto e a convida para usar drogas (nesse momento, todos os outros se sentam e abaixa-se a música, para dialogarem).

KAUÃ
Carla, vem comigo. Vamos procurar um esconderijo para dar uma “cheiradinha”.
CARLA
Amor, não sei não, já são quatro horas da madrugada, nós bebemos muito, você já usou crack, bebeu cerveja e batidas o dia inteiro. E agora quer cheirar cocaína? Pega leve!
KAUÃ
Você está parecendo a minha mãe com essa conversinha. Eu sei o que faço. Já estou acostumado. Já curto esse lance desde os 13 anos. “Mina”, a noite foi feita para curtir. E outra: nós temos é que aproveitar a vida. Vamos todos morrer, mesmo!

Ele pega na mão dela e a leva para fora. Ela sai, mas protestando.
Entra na sala de aula um ator vestido como EPICURO trazendo placas com dizeres. Ele mostra à classe as placas e as lê.
·                    Primeira placa: “O prazer deverá ser regido pela razão, o que resulta em moderação”.
·                    Segunda placa: “Drogas: euforia rápida, desprazer para toda a vida.”
·                    Terceira placa: “Liberte-se dos desejos que podem escravizar você.”
·                    Quarta placa: “Fuja da vida perturbada!”
·                    Quinta placa: “Busque o prazer sem o desprazer”.

Observação: a cada placa apresentada, o ator EPICURO deve andar em direção aos alunos para ter a certeza de que todos a leram. Depois, pendure-as numa espécie de varal ou dê para alguns alunos segurar. 



2ª cena
AMIGOS dançam ao som da música agitada. CARLA entra desesperada. Abaixa-se a música.
CARLA
Pessoal, socorro!
AMIGOS
(Tentando acalmá-la). Carla, o que foi?

CARLA (soluçando)
 O Kauã... está tendo convulsões... vomitou sangue... enrolou a língua... acho que deu overdose...
AMIGOS
Onde ele está?

Todos saem correndo para socorrê-lo. 
Entra na sala de aula o ator representando EPICURO com outras placas.
·                    Na primeira placa lê-se: “Felicidade é não ter sofrimento na alma e nem no corpo”.
·                    Segunda placa: “O mais alto prazer reside no que chamamos de saúde. Cuide Dela.”.
·                    Terceira placa: “Drogas: desvalorizam o prazer de viver”.
·                    Quarta placa: “Drogas: acabam com sua saúde, felicidade, paz e liberdade”.
·                    Quinta placa: “Diga não as Drogas! Busque os prazeres que prolonguem a sua vida”.
·                    Sexta placa: “Recuse tudo àquilo que diminui a sua existência”.

3ª cena:
Sala de espera de um hospital.
AMIGOS, CARLA, MÃE DE KAUÃ entram de cabeça baixa, sentam-se nas cadeiras. A mãe dele não se contém e desabafa.

MÃE
Ó, meu Deus! É o único filho que tenho! José, meu marido, que falta você me faz! Desde a sua morte o Kauã já não é mais o mesmo... Parou de estudar... Não quer saber de fazer nada... Eu vivo avisando para vocês todos. Não bebam... não usem drogas... Vocês são tão jovens...

CARLA
Ai, estou preocupada... Já faz horas que o Kauã está na UTI... E ninguém vem falar nada pra gente!

Após essas falas, entra um médico na sala, para dar as notícias sobre o estado de saúde do Kauã.
MÉDICO
Boa noite. Desculpe a demora. Todos os médicos e enfermeiros estão atarefados e eu mesmo queria conversar com a senhora.
MÃE
Sim, doutor. Como está meu filho?
MÉDICO
Ele teve uma intoxicação generalizada pelo excesso de drogas. Quase o coração dele parou. O problema maior foi a lesão cerebral. Ele vai ter que passar por uma avaliação psiquiátrica e seções de reabilitação para não ficar com os membros atrofiados.
CARLA
Como assim? O que o senhor está querendo dizer?
MÉDICO
O Kauã sofreu um trauma cerebral muito complicado. Ele nunca mais vai poder andar novamente.
MÃE
Meu filho, em uma cadeira de rodas? Não!!!
MÉDICO
Sinto muito.  Ainda bem que vocês o trouxeram bem rápido, senão ele teria morrido.
AMIGOS
A gente quer ver ele. Tem como?
MÉDICO
Sim, só vê-lo, não dá para falar com ele. Por favor, me acompanhem.

Todos os personagens se retiram da sala de aula.
Entra EPICURO com as placas de aconselhamento.
·                    Primeira placa: “Buscar o prazer descontroladamente, sem se preocupar com o desprazer, é o mesmo que morder na isca e ficar fisgado pelo anzol!”.
·                    Segunda placa: “Rejeite os falsos prazeres!”.
·                    Terceira placa: “Falsos prazeres geram perturbações que podem destruir você e todas as pessoas que te amam!”.
·                    Quarta placa: “Não adianta pedir a Deus o que depende de você para fazer. Lembre-se: Você é mestre e responsável pelos seus atos e destino”.
·                    Quinta placa: “Você terá prazer sem desprazer quando aprender a se dominar para controlar as suas emoções”.
·                    Sexta placa: “Busque o prazer sem o desprazer”.

Autor: Nedilson da Silva Gonçalves - (Nédi Silva)
   http://www.youtube.com/watch?v=g4BG2NdUr7c&feature=youtu.be